14 de outubro de 2026 · 5 min de lectura
Aquecimento central: repartir a despesa de forma justa
Em muitos prédios com aquecimento central a despesa reparte-se por permilagem: cada fração paga uma percentagem fixa do total, ligue ou não os radiadores. Durante anos pareceu o normal. Hoje é uma das discussões que mais se repetem nas assembleias.
Porque acaba em discussão
O problema não é uns serem egoístas e outros friorentos. É que no mesmo prédio convivem situações muito diferentes.
- Quem lá vive todo o ano, trabalha em casa ou tem crianças pequenas e mantém a casa quente de outubro a abril.
- Quem passa fora meia estação, tem a casa como segunda habitação ou simplesmente vazia.
- Quem está no rés do chão, no último piso ou na fachada norte e precisa do dobro de radiador para estar tão confortável como o vizinho dos pisos intermédios.
Sem dados de consumo, a conversa é de perceções: "eu quase não ligo" contra "pois eu tenho frio na mesma". Ninguém consegue provar nada e a assembleia encrava ano após ano.
O que são os repartidores de custos
São aparelhos pequenos colocados em cada radiador que estimam quanto calor emitiu ao longo da estação, a partir da temperatura do radiador e do ambiente. Nas instalações em que a distribuição o permite, em vez de repartidores instala-se um contador de energia por fração, que é mais preciso.
Vale a pena explicar bem uma coisa na assembleia: os repartidores não medem euros nem quilowatts exatos por fração, mas unidades de repartição. No fim da estação somam-se todas as leituras do prédio e a despesa real de combustível reparte-se na mesma proporção.
E as válvulas termostáticas
Vão em cada radiador e permitem fixar uma temperatura por divisão; quando é atingida, cortam a passagem da água quente. Sem elas, o repartidor mede, mas o vizinho não tem uma forma cómoda de consumir menos. Por isso costumam propor-se em conjunto: uma mede e a outra dá o comando.
Como muda a repartição
A conta passa a ter duas partes:
- Uma parte comum, que se continua a repartir por permilagem: manutenção, casa das caldeiras, inspeções, perdas de calor das tubagens, consumo das zonas comuns.
- Uma parte variável, conforme o que cada fração consumiu.
Convém deixar clara a parte comum desde o primeiro dia, porque a surpresa típica é a de quem pensava que, não ligando, pagaria zero. Não funciona assim: a instalação mantém-se mesmo sem uso, e o calor das frações vizinhas atenua o frio da tua.
Que peso tem cada parte não é uma decisão totalmente livre. Peçam à empresa de manutenção ou a um técnico que vos diga o que estabelece a legislação em vigor para o vosso caso, e deixem-no por escrito na ata.
Antes de decidir, vejam as regras de hoje
Em Espanha existe regulamentação sobre a individualização do consumo de aquecimento em edifícios com instalação central, com situações em que é obrigatória e outras em que não se aplica, por exemplo quando não é tecnicamente viável. As condições mudaram várias vezes, por isso não se fiem no que se comenta na entrada: peçam um relatório técnico que diga o que se aplica ao vosso prédio neste momento e guardem-no.
O que convém falar na assembleia
- Orçamentos comparáveis de duas ou três empresas, com a discriminação de aparelhos, instalação, arranque e a taxa anual de leitura e repartição. Essa taxa repete-se todos os anos e esquece-se com facilidade.
- Como se paga: quota extraordinária única, fundo de reserva ou repartida por vários meses.
- Que poupança é razoável esperar no vosso prédio concreto. Peçam ao instalador uma estimativa por escrito, não uma percentagem de folheto: depende do isolamento, da zona e do uso que fizerem.
- Uma simulação por fração: como teria ficado a conta da última estação com a nova repartição. É o que mais tranquiliza e o que evita a sensação de que uns ganham e outros perdem.
- Os casos difíceis: rés do chão, últimos pisos, piores orientações, casas vazias. Melhor decidir antes se se corrige alguma coisa e como.
- Quem lê os aparelhos, de quanto em quanto tempo e como se comunica o consumo a cada condómino. Informar durante a estação evita discussões no fecho.
- O que se faz se alguém não permitir a instalação ou a leitura. Combinem o critério antes de acontecer.
Com repartidores ou sem eles, boa parte da tensão desaparece quando cada condómino pode consultar por sua conta o que consome, o que ficou decidido em assembleia e para onde vai o dinheiro do condomínio. Ter tudo no mesmo sítio e sempre à mão é precisamente para isso que usamos o Dommiva, e poupa muitas conversas incómodas no elevador.
Pare de ler sobre gestão. Experimente.
Entre num condomínio de exemplo com tudo a funcionar e experimente você mesmo.