14 de janeiro de 2025 · 4 min de lectura
Aquecimento central: repartidores de custos e o fim do «pagam todos igual»
Se o vosso edifício tem aquecimento central, isto afeta-vos diretamente — e provavelmente já vão atrasados.
A obrigação
O Decreto Real 736/2020 obrigou (com prazos já vencidos) a instalar contadores individuais ou repartidores de custos nos radiadores de edifícios com aquecimento central, sempre que seja tecnicamente viável e proporcionado. Objetivo: pagar pelo consumo real, não pela permilagem.
Como funciona a repartição individualizada
- Repartidores em cada radiador (dispositivos pequenos, 25–40 € por radiador) e válvulas termostáticas.
- A fatura divide-se: uma parte fixa ou comum (perdas, zonas comuns: 20–40%) por permilagem, e o resto por leitura individual.
- Resultado típico: poupanças de 15–25% do consumo global (fecham-se radiadores que antes eram indiferentes) e redistribuição — as frações "frias" que sobreaqueciam deixam de subsidiar as que abriam janelas.
Na prática da assembleia
A instalação é obrigação legal: a deliberação é sobre executá-la (orçamentos, empresa de serviços energéticos ou instalador) mais do que sobre decidi-la. O ponto sensível é a nova repartição: explicá-la ANTES com simulações evita o choque do primeiro acerto ("porque é que agora pago mais?" — porque consomes mais, e antes pagava-o a tua vizinha).
Se ainda não estiver feito
Além do risco de coima, cada inverno sem repartidores é dinheiro queimado coletivamente. E os apoios à eficiência costumam cobrir parte. Pô-lo na ordem de trabalhos da próxima assembleia com dois orçamentos é uma das diligências com melhor relação esforço-benefício que existem.
A nuance de convivência
Os primeiros meses geram comparações e comichões ("o 3.º quase não paga"). Transparência do critério mais paciência: ao segundo inverno, ninguém quer voltar ao preço igual para todos.
Pare de ler sobre gestão. Experimente.
Entre num condomínio de exemplo com tudo a funcionar e experimente você mesmo.